6.08.2006

este blog entra de férias

Jose Borges


até ao fim deste mês.

sejam felizes e obrigada pela companhia.

6.01.2006

Sara crescera interiormente

a vida não perdura infâncias a ninguém.
tinha dinheiro sim. construiu uma casa, ao seu gosto, ao seu jeito. devagar.
à maneira de oleira, molhando as mãos na água e amassandoo barro até lhe dar a forma merecida: ia desenhando quartos janelas varandas e cortinas.



vertices y vertientes

depois tijolo após tijolo a casa ergueu-se.

ficou parada então. não, não era feliz. passava dias inteiros junto ao rio, lembrando conversas de outros tempos, como se o ruído da água a cair nas pedras lhas trouxesse de volta e sorria por sorrir.

Kyzma

construíra a casa perto da cascata com varandas para lá e para a cidade melhor, para rua por onde entrara nela. nessa rua conhecera o único amigo que fizera desde que deixara a sua terra.


hervé baudat

- porque é que não voltei? consegui tudo o que os faria orgulhar-se de mim. mas só eu não me orgulho. falhei na escolha. falhei no amor. o resto esbatece-se como os posters que ainda polulam colados nas paredes de barbeiros e supermercados, fotos minhas, amarelecendo, decaindo. eu a decair?


Utore Asaphil

- se soubessem como ainda oiço o zumbido e sinto a ventoínha que me erguia os cabelos no estúdio, horas a fio!

que espero eu aqui? já podia ter regressado ao trabalho, mas recuso propostas uma após outra e neste ofício quem não aparece morre cedo.


ORandophlee
olha o desenho a que chamara "Desencontro", e fizera ao chegar e saber da partida há muito tempo, de Francisco.

- que foste procurar? porque é que foste? não adivinhavas que voltaria e seria por ti?

ao toque da campaínha, sente-se invadida na sua solidão de quase claustro.

- quem é?

diz por dizer abrindo a porta.

- resmungona, sou eu! deixas-me entrar ou fico aqui a acabar de adoecer?


Kai Bergmann

não falou. não sabia o que dizer. tremia. a porta escancarou-se para deixar passar o rapaz magro, que ela mais lembrava de máscara branca do que assim. mas o calor da voz, a paz que entrou na casa ao mesmo tempo que ele, deram-lhe a certeza que nenhum dos dois voltara em vão.


weetcharade

quando já separados do abraço longo que os unira, permitiu deixar cair as lágrimas guardadas tanto tempo, lá da montanha um inteiro clã de lobos começou a uivar.

- Francisco, ouves os lobos?

- sim, amor.

- falam para nós. achámos o caminho. ouves o som da cria?

- como tu os distingues!

e Francisco sorria.

- eu sou um deles e quero urgentemente um filho teu.

FIM.

5.29.2006

Francisco não pensou duas vezes, fez-se à estrada.

havia que seguir o pouco rasto que tinha de Sara, chegado pelos nomes de fotógrafos e edições de jornais. célebre era. isso tinha a amiga conseguido. mas a preocupação no coração dele não diminuia.

MaxSzoc

fez espectáculos para se manter vivo e não só, quem sabe o nome dele a faria aparecer? não tinha muita esperança nessa parte do plano.


- por esta altura nem se lembra de mim. fui sempre o apagado, o que a seguia não o que a ladeava. como e porquê lembrar e sobretudo agora?

mas via-a. via-a em todo o lado. sobretudo onde houvesse água espelhando uma mulher bela e selvagem.

Roman Golunbenko

onde quer que fosse, na linha de comboio, um dia, por exemplo. chegou a dar um grito, chamando pelo seu nome.

Pavel Krukov

- Francisco, estás doente. não continuo contigo, temos de regressar para que descanses e te livres dessa obsessão.

- tens razão. entendo que a perdi. e logo para aquele rapazola corrupto. se ao menos tivesse sido para alguém que a tratasse como ela merece... se ao menos eu a tivesse podido avisar.

maldita máscara de mimo que me tapou aos olhos da mulher que amo.

Francisco arranhou o rosto como quem arranca uma segunda pele nele colada e atirou-a, simbolicamente, pela janela do combóio.

-acabou!


Valery Tumbayev

(segue)

5.27.2006

demora o regresso de Sara

David Ewing


dela só as fotos em revistas cada vez mais inacessíveis, raras nas montanhas.

Gabriel terá desistido de a procurar. era homem de facilidade, não de luta. competitivo de curta duração.


Kelly Phillips

a bonita cabana abandonada. só o arbusto que ela trouxera da terra, alastrava e floria teimosamente ainda.

Francisco andava sério. trabalhava com dificuldade pela primeira vez. sobre os ombros caíra-lhe uma noite de tempestade onde a luz da lua não existe ou mal espreita.


az redheaded brat

- nem cheguei a levá-la a passear de canoa pelo rio. não fiz nada do que desejei fazer com ela. porque raio me deu para fazer de irmão?

foi o vê-la sozinha, desprotegida, armando em dura para não chorar. enterneceu-me...

mas alguém a amou tanto quanto eu?

Mike Barton


uma manhã depois de noite insone, entrou na cabana abandonada e viu pela primeira vez, o rosto do homem que lhe tinha levado a amiga amada.

Feyd Ketchee

- ó minha pobre querida! sempre foi a beleza da vida o que mais te atraiu e, belo ele é.

a esta hora já saberás o resto.

Sara! tenho de te encontrar!




(segue)

5.25.2006

- é ela!

Jim Newberry


- eu sei que é. e esteve todo este tempo ao meu lado sem a reconhecer. Sara, quem diria? a provinciana que me passou para trás como a um bébé de colo!

estava furioso consigo mesmo. olhava o escaparate da livraria com a foto em destaque, sem desfitar a mulher que abandonara.

- então Grabriel, que te parece a nossa nova estrela? depois de ser fotografada por alguém como esse fotógrafo, já ninguém a pára.

- tu sabes que Marta é um falso nome?

- falso não, artístico. e que há de novo nisso? quantos nomes tens tu por essas estradas de Deus?

Francisco ria. nem se apercebia da expressão ressentida do colega.

- eu conheço-a, Francisco. muito bem.

- tu?! e deixaste-te estar ao lado dela sem sequer a notar? essa nem mesmo vinda de ti deixa de me espantar.

as gargalhadas sonoras aumentaram de volume. a fúria de Gabriel também.

- Francisco, escreve o que te digo, eu não volto a perder esta mulher!

- deixa-te disso. encontrei-a há pouco a caminho da estação. parece que ia encontrar-se com o marido. casaram sem contar a ninguém, sequer a mim.

- casou? com quem?

- com um homem, suponho. foi à cidade dela apresentá-lo à mãe ou coisa assim.

- mentira. conheço-a bem. só voltará lá se enriquecer. antes disso...

- deixa-a em paz. agora falo sério. sou muito amigo dela e é uma mulher a valer. é um aviso Gabriel. já parei de brincar.


at art.iwebsolutions

entretanto, Marta era feliz, alheia ainda a tudo, fugida apenas por uns dias, do olhar predador dos fotógrafos.

- estás a ameaçar-me, Francisco?

- entende o que quiseres. à Marta, não voltarás a fazer mal. garanto!

- ela já tem marido...

- pouco importa. antes dele passarás por mim.

(segue)

5.24.2006

2º intervalo.

Carlos Pinheiro
(fotógrafo da minha terra: Sintra.)

aquele rio

aquele amor a sua serra. nada mais a iria perturbar. não pensou em vinganças, a bem dizer deixou quase de pensar. viveu a sua festa até cair de embriaguez e voltar a erguer-se bebendo outra dose de alegria de viver e voltar a cair no prazer de assim ser.


Mike Massee

os colegas não os viam juntos. viviam na cabana aonde ninguém ia. o papel no teatro tinha voltado às mãos da colega que primeiro o criara. Marta estava assim livre para o seu barro a sua pintura as suas tecelagens, o seu homem.


Rimbaud - Livia Alessandrini

não voltou a pintar o cabelo. esqueceu mesmo porque o tinha feito. Gabriel era um nome que nada lhe dizia se a presença dele lá não estava e dentro dela, tinha-o apagado.

mas esse descuido de enamorada fez a foto do dia e feliz o fotógrafo, que pela janela aberta, a conseguiu.


Elena & Vitaly Vasilieva

e no dia seguinte a beleza de Sara, actriz celebrizada por uma ou duas noites, recheava a imaginação de quase todas as cidades da montanha. até da sua. daquela onde nascera.

mas também Gabriel, o ex-amante, a viu.

e a hora de brincar recomeçara, sem ela sequer se aperceber.

(segue)

5.23.2006

ele há instantes

que fazem uma vida, e foi um desses que ali aconteceu.
foi milagre ou loucura? se soubéssemos bem o que é o amor teríamos resposta, assim não.

Gerhardt Thompson.


depois da dança antiga de dois corpos, os jovens adormeceram sobre o rio. instantes. tudo instantes. que depressa refeitos, quase sem se falar, entre olhares felizes correram para a estação em busca da cidade mais perto. teriam de voltar no outro dia.


zabaa

descera sobre o vale a mesma neblina do dia em que chegara.

- devo estar louca. tu és tão novo ainda...
- e isso que tem? sou um homem que te ama e admira. que te vai respeitar e dar-te filhos. não procuro uma mãe.


riram os dois.
casaram na cidade. sem avisar ninguém. sem cerimónia maior que a de um pé de flor que ele lhe deu.


daynah.net.


- afinal o teu nome não é Marta.
- não. mudei-o ao chegar. no caminho de volta conto-te tudo Rui. ou não? estou tão feliz! isso pode esperar.

(segue)

5.22.2006

e Marta

brincou de gato e rato muito tempo. Gabriel andava tonto, como uma varejeira ao pé de carne fresca. mas ela pintava cenários, desenhava roupas, olhos baixos não fosse a expressão traí-la e, a cada proposta do rapaz, acenava com a cabeça um não irredutível.

Paulo Victorino

tempo não lhe sobrava. vendia cerâmicas e quadros e fazia sucesso entre os turistas e a gente da cidade.


Fotosearch

subiu rapidamente na consideração do grupo e dos em volta. mas havia um, apenas, que ela olhava.
tímido, jovem, diferente. deu consigo a sonhar com ele duas noites seguidas e sorriu.
até para o amor estaria a renascer?

veio a estreia da peça. tudo estava pronto. na hora, no entanto, a única mulher do grupo adoeceu.

Marta não sabia o que se passava com a colega, só os via olhar com fúria incontida na direcção de Gabriel.

- que terá ele feito à rapariga? - não conseguiu impedir-se de pensar?

- Marta...

- diz, Francisco?

- o espectáculo não pode parar. sei que sabes a peça toda. estudaste tudo bem por causa dos cenários e assististe a mais ensaios do que eu. vais ter de entrar.

é assim, naquele mundo de rei-morto rei-posto. não lhe deram tempo a dizer não.


Pavel Krukov


no outro dia, entre elogios rasgados, era a foto de Marta , usando os seus próprios modelos, a inundar revistas e jornais.

- o triunfo do trabalho...

- não, Marta, o da arte também.

disse-lhe o jovem loiro que escutara o desabafo feito à beira rio.

para uma amiga, 2 dias depois

The heart of a flower at flowers- photo.

do seu aniversário, por falta de Net em casa.

PARABÉNS LMATTA! SÊ FELIZ!

5.19.2006

intervalo - bom fim de semana

Ka-Boomslice
e... não há só praia na terra. :)

- agora brinco eu!

Sara não procurara o ex-amante. ficara sozinha com a dor do abandono até que os olhares críticos a expulsaram da terra que era a sua. tropeça nele agora e a raiva recrudesce. volta atrás e pede ao mimo que a apresente como Marta.

- será assim como um nome artístico, entendes? nada de especial. gosto mais, só. e já agora, se me vires diferente no ensaio não me faças perguntas, eu gosto de surpresas e de mudança apenas, mas a ti, não quero surpreender.

Jim Newberry


acordado isto. foi ao cabeleireiro, ondulou e aclarou os cabelos longos. depois, com o pouco que lhe sobrara das poupanças, comprou um tipo de vestido que nunca usaria no povoado.

- passámos a ser árvores paralelas, meu caro Rafael, ou lá como te chamas. nunca mais nos encontraremos nem que estejamos mesmo lado a lado, como agora.


Duncan Green

quando à noite foi apresentada ao grupo de teatro, era outra mulher e, sentia-se assim.

Mike Gould


cumprimentaram, deram-lhe as boas vindas e continuaram o trabalho. apenas um, o que ela já amara se fixou mais tempo no seu rosto, ele. sem a reconhecer.

Carlos Pinheiro

- Francisco, onde desencantaste a rapariga, andas com ela? nunca a vi por aqui.

- não. conheço-a há dois dias. é bonita e tem sentido artístico além de precisar de trabalhar. mas deixa-te de ideias. vê como se afastou e foi directamente para a zona dos adereços.

- pois sim... isso veremos.

sem dúvida veria.

(segue)

5.18.2006

durante o espectáculo

do recente amigo, não conseguiu concentrar-se. oscilava entre a raiva, a saudade daquele corpo e a sensação de estar encurralada num canto de uma cidade, de onde não podia e nem queria sair.

Valery Tumbayev


pensava:

- não vou fugir de ti. não repito a tua cobardia. também não te procuro. posso até amar-te ainda, se é que este sentimento é amor, mas não vou parar de viver por tua causa.

- gostaste do espectáculo?

respondeu: muito! com um largo sorriso. tinha recuperado naquele mesmo instante a determinação que a levara a abandonar o berço frio onde nascera.


Gianluca


- tens de de ficar connosco. precisamos muito de mais uma mulher e tu és simpática e estás sem emprego. deixa-me ver como fica o teu rosto pintado... linda!

- talvez , mas falta o essencial, a arte. não a tenho. talvez haja outras coisas que eu possa fazer...

- tens habilidade manual? pintura , modelagem?

- sim, era um dos meus prazeres, lá de onde vim.

- podes fazer cenários e adereços de cena. queres tentar?

a excitação de criança bailou nos olhos de Sara. tinha trabalho e naquilo que gostava de fazer.

- olha, vem aí o Rafael, a visão do demónio que te fez tremer. vai gostar de ti, pelo menos tanto quanto eu, tenho a certeza.

o rapaz ria, divertido com a situação.

- Rafael? é assim que se chama?

e pensou:

- nem o nome real tiveste a coragem de me dar... cobarde!

- onde vais?


Eternal Springtime - rodin web - elsen

- até ao rio. procurar barro. é urgente que ganhe alguma coisa e por trás da minha cabana há um forno abandonado. ponho-o a funcionar. talvez possa vender peças aos turistas.

sonhava agora com a estátua que nunca poderia esculpir.

- e o Rafael?

- quem?

- estás a pensar em quê? ou vais com medo do nu que viste de manhã?

- nada disso, Francisco. penso em como a vida e o teatro se podem por vezes, confundir. vejo-os a todos à noite, no ensaio.

Mike Gould
(segue)

5.16.2006

- conheces a cidade? já viste o rio?

- não. cheguei cansada. vim de longe...

- não quero ser indiscreto nem parecer. o rio, podes vê-lo agora de caminho. não atravessamos a cidade. sei um trilho mais curto, nasci cá. por isso a escola me pediu este trabalho. faço parte de um grupo mas hoje estou só. eles estão por aí em ensaios. espero...


o rapaz ria. um riso alegre, despreocupado. Sara pensou que tinha tido sorte em encontrá-lo.


JRenato


- já podes ouvir e ver o nosso rio. tenho uma barca onde se forma um lago. hei-de levar-te lá. agora não há tempo.

mas a rapariga sem falar, estremeceu e ele parou para a olhar.

- que foi? estás a tremer.

- ali, naquela árvore... é um homem...



Kruml

depois de uma sonora gargalhada o acompanhante de Sara respondeu:

- e nu, queres tu dizer. é um dos nossos. sempre que está bom tempo faz os exercícios sem roupa, de forma a não ser visto. como vês virou-se por estares tu.

- desculpa. paptetice minha. só não estava a contar ver cá ninguém. vamos. os miúdos devem estar à tua espera.

o que Sara não disse, é que conhecia de cor aquele corpo.

(segue)

5.15.2006

num sonho

em sobressalto, viu-se em menina ainda, pela mão do pai a quem amara muito. a casa desabava aos olhos deles. paredes que se torciam como papel ou árvores ao vento.
saltou da cama e abafou um grito. não era mulher de dar parte de fraca.

Peter Siejka

tomou banho vestiu-se e, sem comer ainda, partiu para a rua em busca de trabalho.

qualquer coisa servia. uma estação de gasolina ou um supermercado. a que mais poderia ambicionar? estudar naquela terra? só mesmo o secundário. a universidade ficava longe, noutra cidade e a mãe queria ajuda na loja, desde a morte do pai.

súbito, sentiu-se tocada num ombro. voltou-se pronta a agredir. era assim que ainda se sentia, revoltada e selvagem.

Gianluca Nespoli


- bom dia. vim contigo ontem no comboio. procurei-te depois, já não te vi. agora, por qualquer mistério do universo, aqui estás tu.

sabes representar? tens expressão de cantora ou actriz e és bonita. muito.


Gianluca Nespoli

- mas que conversa tonta! quem és tu afinal? um mascarado?

- um mimo. nunca ouviste falar?

- sim. nunca tinha era visto nenhum.

- tenho um espectáculo na escola. vim já com parte da pintura, só para tomar café. tomas também?

o estômago doia e a voz dele amaciava a dificuldade de estar sozinha em terra estranha. até a base que lhe cobria o rosto fazia dele, não um homem mais a quem temer, mas um palhaço bom, de circo em tempo de férias. aceitou.

- tinhas fome.

- tinha, confesso.

- assistes ao espectáculo?

- porque não?

ele segurou-lhe de leve o cotovelo, indicando o caminho. ela sentiu-se bem.

(segue)

5.14.2006

devia ser turista o homem que a olhava

as gentes das cidades de montanha não são mais discretas do que as outras, usam é a indiscrição de maneira mais subtil.

by Jill Wagner


depressa o esqueceu. outras prioridades lhe ocupavam o cérebro ao descer na estação da que seria a sua cidade.

- a minha mãe tinha alguma razão. devia ter poupado mais e assim teria agora férias bem merecidas em vez de procurar trabalho.
sempre guardei algum, o dos presentes que ele sempre dizia não saber comprar para mulheres: "roupas bonitas como tu mereces". onde as compraria eu na minha terra?
que parva. como pude ser tão parva? o dinheiro não deixa rasto. nenhum rasto.


Tom Fowler

chegou. viu ainda da ponte a terra ou parte dela. sorriu. ia ser fácil acostumar-se ali.

buscou desde a estação uma pensão. eram altos os custos. o dinheiro daria quse só para uma noite. assim aceitou a proposta de um carregador de bagagens e alugou uma cabana, meio abandonada, no extremo da terra.

skaletski

- eis o meu palácio e o meu desterro. pelo menos a árvore não aponta em dois sentidos, como a outra, aponta mesmo em direcção a mim.

by kelly phillips

- agora vou dormir, estou morta de sono. amanhã, amanhã recomeço a viver.

(segue)

5.13.2006

partiu leve, sem o peso de sonhos.

Pavel Krukov

ninguém lhe perguntou se sabia para onde. ainda bem. não saberia bem que responder.

- é difícil deixar a cordilheira. tantas as linhas curvas e tantos os recantos cheios de cheiros e sons.
por aqui é sempre primavera. seja qual for a época do ano, há sempre uma flor nova a não pisar .

Jean van Wyk

antes da partida inspirara a montanha até ao sangue e pensara em deixá-la, ir para longe. longe de memórias e de lendas de lobos. agora, olhando a paisagem, do comboio, perdera essa certeza.

Stanislav Galibin

como se lhe fosse uma resposta aos pensamentos Sara vê, entre a neblina, num vale, uma silhueta que lhe lembra o amante. pela primeira vez deixa de se odiar para o odiar a ele.

- não. eu não vou fugir para mais longe. é aqui que pertenço. a este espaço mágico onde tudo, mas tudo, ainda pode acontecer.


R. N. Clark

um uivo desce dos montes. ecoa. espalha-se e desce por entre o nevoeiro.

- obrigada. agora sei que tu me dás razão. na próxima paragem, vou
descer.