Sara crescera interiormente
tinha dinheiro sim. construiu uma casa, ao seu gosto, ao seu jeito. devagar.
à maneira de oleira, molhando as mãos na água e amassandoo barro até lhe dar a forma merecida: ia desenhando quartos janelas varandas e cortinas.
depois tijolo após tijolo a casa ergueu-se.
ficou parada então. não, não era feliz. passava dias inteiros junto ao rio, lembrando conversas de outros tempos, como se o ruído da água a cair nas pedras lhas trouxesse de volta e sorria por sorrir.
Kyzmaconstruíra a casa perto da cascata com varandas para lá e para a cidade melhor, para rua por onde entrara nela. nessa rua conhecera o único amigo que fizera desde que deixara a sua terra.
hervé baudat - porque é que não voltei? consegui tudo o que os faria orgulhar-se de mim. mas só eu não me orgulho. falhei na escolha. falhei no amor. o resto esbatece-se como os posters que ainda polulam colados nas paredes de barbeiros e supermercados, fotos minhas, amarelecendo, decaindo. eu a decair?
- se soubessem como ainda oiço o zumbido e sinto a ventoínha que me erguia os cabelos no estúdio, horas a fio!
que espero eu aqui? já podia ter regressado ao trabalho, mas recuso propostas uma após outra e neste ofício quem não aparece morre cedo.
ORandophlee
olha o desenho a que chamara "Desencontro", e fizera ao chegar e saber da partida há muito tempo, de Francisco.
- que foste procurar? porque é que foste? não adivinhavas que voltaria e seria por ti?
ao toque da campaínha, sente-se invadida na sua solidão de quase claustro.
- quem é?
diz por dizer abrindo a porta.
- resmungona, sou eu! deixas-me entrar ou fico aqui a acabar de adoecer?
Kai Bergmannnão falou. não sabia o que dizer. tremia. a porta escancarou-se para deixar passar o rapaz magro, que ela mais lembrava de máscara branca do que assim. mas o calor da voz, a paz que entrou na casa ao mesmo tempo que ele, deram-lhe a certeza que nenhum dos dois voltara em vão.
weetcharade quando já separados do abraço longo que os unira, permitiu deixar cair as lágrimas guardadas tanto tempo, lá da montanha um inteiro clã de lobos começou a uivar.
- Francisco, ouves os lobos?
- sim, amor.
- falam para nós. achámos o caminho. ouves o som da cria?
- como tu os distingues!
e Francisco sorria.
- eu sou um deles e quero urgentemente um filho teu.
FIM.




12 Comentários:
:)
passei para acabar a leitura.Perdi-me um pouco, mas recuperei e pelo que li chegou ao fim.
Avisa quando começar a próxima.
bjs
se te perdes pelo meio para que hei-de avisar, ó seu desnaturado?
:)
Ai que bom, um fim feliz !!!!
Gosto mesmo, porque hei-de negar?
Belíssimas imagens e as tuas palavras que deram a felicidade ao Francisco e à Sara neste reencontro...
Que muitos Franciscos e Saras, tantas vezes separados por desencontros ao longo da vida, tenham a possibilidade de caírem nos braços um do outro e finalmente ser felizes...
Filhos? Sim, uns poderão tê-los, outros já terão passado o tempo para procriar.
Afinal, há esperança!
Beijinhos
ando a correr contra o tempo e este tem vencido :(, hoje com tempo apenas para te deixar um beijo, já tinha saudades de te ler.
beijo
Gostei imenso deste blog, parabens... TUDO DE BOM :)
que pena o fim
que lindo o fim
que promessa o início
que bonito o início
beijo
alice
Lá tive que ler o atrasado mas fiquei feliz porque o conto acaba bem. Foram felizes pera sempre? Bem, acho que nem tu nem eu acreditamos nisso. :))
Beijinhos
Lindo fim
gosto
beijocas
o fim foi bonito
e é verdade se crescermos interiormente, de alguma forma contribuimos para surgir um fim melhor
gostei
:)
um blog estranhamente belo e onde virei dormir muitas vezes
Clap, clap, clap…
Bom conto, onde as imagens não foram uma mais valia mas sim um elemento de distracção. Este é um conto que não precisa de muletas, vale por si, pelas palavras, pela história que conta e pela mensagem que passa.
É a minha opinião, vale o que vale e tu mereces sinceridade.
Arrancadas as mascaras é francamente possível derrubar barreiras, assim estejam as pessoas dispostas a enfrentar o futuro, de peito aberto e receptivas aos encontros e reencontros da vida.
Gostei imenso.
Parabéns e um grande abraço.
PS: Desculpa a ausência, culpa da falta de tempo e pouca disposição para blogar.
Gostei de ler o conto. Detesto textos muito adjectivados e não é o caso dos seus.
Volte bem.
Cá voltarei.
:)
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